Se a política de TikTok saturou, a gente vai se entender

Professor, engenheiro e gestor público há mais de 30 anos, Sávio Souza Cruz conta o que o levou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

A política de TikTok é aquela feita por quem nunca escreveu um projeto de lei. Se você acredita, como eu, que político precisa ouvir e aprender sobre a necessidade das pessoas antes de abrir a boca, então já entendeu por que resolvi me candidatar agora a deputado federal.

853 municípios, nenhum problema pequeno

Minas não é um lugar só. São 853 municípios, cada um com um problema que parece pequeno de longe e é imenso de perto: a ambulância que não chega, a escola sem professor, o hospital que perde o credenciamento, o rio que seca. Aprendi, na prática, que governar é escolher prioridades com o dinheiro que existe, e que a conta do erro quem paga é sempre quem depende do serviço público.

Antes de tudo, professor

Poucas palavras me definem. A que expressa a minha essência é ser professor. Fui professor no Colégio Santo Antônio e, por 20 anos, na Engenharia da PUC Minas. Foi na sala de aula que entendi que, na política, ouvir é mais importante do que falar. Paulo Freire dizia que não é falando aos outros de cima para baixo que se aprende a escutar, mas que “é escutando que aprendemos a falar com eles”. Levei essa lição para cada cargo que ocupei.

Da Câmara de BH à Assembleia

Fui vereador e presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde fiz uma reforma administrativa que cortou cargos de recrutamento amplo e limitou despesas de gabinete, começando por casa. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foram seis mandatos legislando, relatando e fiscalizando orçamento com a cabeça de engenheiro: conta que não fecha, eu mostro onde não fecha. Desse trabalho saíram mais de 180 leis e emendas constitucionais aprovadas e um livro sobre o que Minas perdeu com a Lei Kandir.

Quatro secretarias, nenhuma greve

No Executivo, comandei quatro Secretarias de Estado: Administração e Recursos Humanos, Planejamento, Meio Ambiente e Saúde. Não enfrentei uma única greve. Não por sorte: porque sentei à mesa. Na Saúde, em plena epidemia de febre amarela, a cobertura vacinal saiu de 47% para 82%.

Por que volto à disputa

Volto à disputa porque conheço a máquina pública por dentro, e porque Minas perde toda vez que é representada por quem não sabe ler um orçamento. Deputado federal não administra cidade: quem faz isso é o prefeito. Mas é no Congresso que se define o orçamento, se criam os programas e se destrava o recurso que faz a cidade funcionar.

Por isso reuni as bandeiras que vou defender em Brasília, da saúde às cidades, cada uma com um antecedente concreto na minha trajetória. Quem quiser conhecer essa história com calma encontra tudo na biografia.

Sávio Souza Cruz
Candidato a deputado federal por Minas Gerais, 1890