Sávio Souza Cruz e a saúde pública de Minas Gerais: o que já foi feito

Do acelerador linear de Curvelo ao SAMU de Oliveira: conheça a atuação de Sávio Souza Cruz na saúde pública de Minas Gerais, como gestor e como legislador.

Falar de saúde pública em Minas Gerais é falar de distância. É falar da família que acorda de madrugada para pegar uma estrada de duzentos quilômetros por causa de um exame, da prefeitura pequena que não consegue manter um leito aberto e do hospital filantrópico que segura o atendimento de uma região inteira com um convênio renovado no limite do prazo.

É exatamente aí que se mede uma trajetória. E a de Sávio Souza Cruz na saúde não começa nesta campanha: começa na Secretaria de Estado de Saúde, passa pelo Legislativo e está instalada, hoje, em equipamentos que funcionam no interior mineiro.

Engenheiro, professor e um dos gestores públicos mais experientes do Estado, Sávio soma mais de 30 anos de vida pública — dois mandatos de vereador em Belo Horizonte, onde presidiu a Câmara Municipal, seis mandatos de deputado estadual e quatro Secretarias de Estado. Na Saúde, sua folha não é de promessa: é de gestão executada, de lei aprovada e de serviço funcionando.

Secretário de Estado de Saúde: o SUS mineiro em pé no pior cenário

Sávio assumiu a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais no momento mais difícil possível. O Estado atravessava uma crise fiscal profunda, com déficit da ordem de R$ 10 bilhões, e o calendário conspirou: ele reassumiu a pasta em janeiro de 2017, justamente quando explodiam os primeiros casos do surto de febre amarela que marcaria o estado.

O SUS mineiro não parou. E a resposta à epidemia se tornou o exemplo mais claro do que significa gestão com método: a cobertura vacinal, que estava em torno de 40% no início do surto, chegou a 82% em pouquíssimo tempo — alcançando inclusive os pontos mais remotos da zona rural mineira, onde a logística de vacinação é um problema de engenharia antes de ser um problema de saúde. (Ver o histórico da resposta à febre amarela na SES-MG.)

No mesmo período, Sávio enfrentou a judicialização da saúde, desenvolvendo estratégias para equilibrar o orçamento diante das demandas judiciais, e peitou o monopólio de medicamentos importados, que encarece artificialmente o custo do tratamento pago pelo poder público. Ao longo de toda a gestão, manteve interlocução permanente com os servidores e não enfrentou uma única greve.

Saúde como lei: o que está escrito e valendo em Minas

Gestão resolve o problema de hoje; lei resolve o de amanhã. Sávio participou da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e tem assinatura em normas que estruturaram o financiamento e o acesso à saúde no Estado:

  • Lei 23.559/2020 — de sua autoria, autorizou o Estado a doar aos municípios as Unidades Básicas de Saúde construídas com incentivo financeiro estadual. Na prática, transferiu UBSs para prefeituras que não conseguiriam concluí-las sozinhas.
  • Lei Complementar 154/2020 — da qual é coautor, permitiu a transposição e a transferência de saldos de convênios firmados com o Estado e dos Fundos de Saúde municipais. Em plena pandemia, foi o que destravou dinheiro parado em caixa para ser usado onde havia urgência.
  • Lei 23.588/2020 — autorizou o adiantamento de repasses estaduais a municípios em situação de emergência ou calamidade, instrumento decisivo para prefeituras pequenas em crise sanitária.
  • Lei 24.136/2022 — garantiu atendimento prioritário às pessoas com fibromialgia nos serviços de atendimento ao público em todo o Estado.
  • Lei 15.658/2005 — declarou de utilidade pública a Fundação Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Somam-se a essas a Lei 13.865/2001, que nomeou o Ambulatório Maurício Becker no Hospital Júlia Kubitschek, da FHEMIG; a Lei 7.031/1996, aprovada ainda na Câmara Municipal de Belo Horizonte, sobre os procedimentos de saúde no Código Sanitário Municipal; e as leis que declararam de utilidade pública as APAEs de Oliveira e de Esmeraldas.

O método: transformar cidades em polos regionais de saúde

A estratégia de Sávio para o interior sempre teve um método claro: concentrar investimento em cidades-polo, capazes de atender não apenas a própria população, mas toda a constelação de municípios ao redor.

A lógica é simples e vale a pena ser dita devagar. Um acelerador linear, uma base do SAMU ou um centro de hemodiálise instalados no lugar certo deixam de servir a uma cidade e passam a servir a uma região inteira. É assim que serviços de média e alta complexidade chegam a quem antes só os alcançava depois de horas de estrada.

O que vem a seguir são apenas alguns exemplos, entre muitas outras realizações de Sávio na saúde mineira ao longo de mais de três décadas — em dezenas de municípios, com repasses para custeio, equipamentos, reformas, ambulâncias, UTIs móveis, fortalecimento de Unidades Básicas de Saúde e credenciamento de serviços junto ao SUS.

Curvelo: como o acelerador linear criou um polo regional de saúde

A peça central dessa história é o acelerador linear. Foi Sávio quem liderou as tratativas que levaram o setor de radioterapia ao Instituto do Câncer do Hospital Imaculada Conceição, inaugurado em janeiro de 2019 — R$ 500 mil para adequação do bunker e R$ 1,5 milhão para o upgrade do acelerador, dentro de um investimento total de cerca de R$ 8 milhões. O equipamento tornou-se referência para mais de 1,5 milhão de pessoas da região.

A importância dessa entrega vai muito além do próprio aparelho: foi ela que consagrou Curvelo como polo regional de saúde — e é essa condição de polo que destravou os investimentos que vieram nos anos seguintes.

A hemodiálise: um trabalho que começou na Secretaria e teve continuidade

Já em 2018, Sávio havia viabilizado, como secretário de Saúde, R$ 953 mil para a ampliação da hemodiálise do Hospital Santo Antônio, com 17 novas máquinas, elevando a capacidade de 140 para 210 pacientes por mês em cerca de 20 municípios da microrregião.

Anos depois, o mesmo serviço foi ampliado outra vez, agora com emendas do deputado estadual Lucas Lasmar: 33 novas máquinas, 93 poltronas e um salto para 450 pacientes por mês, que colocou Curvelo entre os cinco maiores centros de hemodiálise de Minas Gerais. É a continuidade de um trabalho que começou na Secretaria e não parou desde então.

Centro cirúrgico, oncologia e o Centro de Imagem

Vieram também o Centro Cirúrgico Lúcio de Souza Cruz, com seis salas, inaugurado em 2023 no Hospital Santo Antônio para atender 400 mil habitantes de mais de 30 municípios; o CORA HIC, centro de condicionamento para pacientes oncológicos no SUS, hoje a caminho de virar política pública estadual; e, em 2025, o pedido levado ao Ministério da Saúde por Sávio e por Lucas Lasmar de R$ 17,4 milhões de aumento no teto MAC para o Instituto do Câncer.

Em 2026, o hospital ganhou um Centro de Imagem com ressonância magnética de última geração — R$ 4 milhões, o primeiro aparelho do modelo no Brasil, com capacidade para 20 exames por dia pelo SUS. O recurso veio de emendas de Lucas Lasmar, com apoio e articulação de Sávio, no mesmo pacote que destinou R$ 2,35 milhões à ampliação da hemodiálise e mais R$ 700 mil ao custeio do hospital.

Oliveira: urgência, diagnóstico e oncologia no centro-oeste mineiro

Em junho de 2017, como secretário de Saúde, Sávio viabilizou a base do SAMU em Oliveira: duas ambulâncias — uma de suporte básico e uma UTI móvel —, atendimento 24 horas pelo 192 e cobertura de 54 municípios do centro-oeste mineiro, com R$ 12 milhões de investimento estadual e R$ 1,6 milhão mensais de custeio do Estado.

Três anos depois, entrou em operação o aparelho de ressonância magnética do Hospital São Judas Tadeu, a Santa Casa de Oliveira — articulado por Sávio desde 2017, com R$ 3 milhões para o equipamento e R$ 1 milhão em obras de adequação. O serviço é referência para os mesmos 54 municípios, sobretudo em neurocirurgia de alta complexidade, e evitou que cerca de 40 pacientes por mês precisassem viajar para fazer o exame.

A habilitação da oncologia: quatro anos de insistência

A habilitação do serviço de oncologia da Santa Casa de Oliveira foi uma luta de quatro anos, conduzida pelo deputado Lucas Lasmar desde 2023. Em setembro de 2025, Sávio intermediou e participou, ao lado dele, da reunião em Brasília com o ministro Alexandre Padilha — e teve papel fundamental no diálogo com o ministério e no acompanhamento de cada etapa técnica que veio depois.

Em janeiro de 2026 saiu a aprovação técnica do Ministério da Saúde. E em 26 de junho de 2026, a habilitação como UNACON foi enfim publicada no Diário Oficial da União, pela Portaria GM/MS nº 11.707: cerca de R$ 6,4 milhões anuais do Ministério da Saúde, somados aos R$ 16 milhões já viabilizados em estruturação e equipamentos, garantindo previsibilidade ao tratamento oncológico de 13 municípios do centro-oeste mineiro.

O serviço, aliás, já entregava resultado antes mesmo de o recurso federal chegar: desde janeiro de 2025, foram mais de 440 internações e 192 cirurgias, com cerca de 80 pacientes em tratamento contínuo e o tempo de espera caindo de sete para dois dias.

Há um efeito discreto em tudo isso, que raramente entra na conta. Cada quimioterapia, cada sessão de radioterapia e cada exame que passam a ser feitos perto de casa são uma viagem que não se faz e uma espera que não se soma — no interior e, por consequência, também nos grandes centros, onde a fila fica para quem realmente não tem outra alternativa.

O que Sávio Souza Cruz leva para Brasília na área da saúde

O primeiro compromisso é um financiamento do SUS que não dependa de socorro: repasse federal estável e previsível, com atenção específica aos hospitais filantrópicos e municipais que, no interior de Minas, são o único atendimento num raio de dezenas de quilômetros — e que hoje dependem de convênio renovado de última hora e fecham leito por falta de custeio.

O segundo é atendimento mais rápido, sem depender de viagem: telessaúde de verdade e regulação de leitos e exames baseada em informação atualizada, não em estimativa. O paciente do interior perde tempo na fila, perde na viagem até a capital e perde de novo porque ninguém sabe, naquele momento, onde há vaga. Um sistema que enxergue a fila em tempo real é o que separa gestão de improviso — e é exatamente o tipo de problema que um engenheiro que já dirigiu a pasta sabe endereçar.

O terceiro é saúde mental dentro do SUS, com equipe e orçamento: profissional contratado e verba prevista, e não campanha de outubro que termina em novembro. A demanda cresceu, a rede não acompanhou, e a conta cai na família.

E o quarto é a regulação firme da indústria de apostas, um setor que se instalou no orçamento doméstico brasileiro em poucos anos e devolve a conta ao serviço público em forma de endividamento, adoecimento e desestruturação familiar.


Como escreveu Norberto Bobbio, o problema grave do nosso tempo, com relação aos direitos do homem, não é mais o de fundamentá-los, e sim o de protegê-los. O direito à saúde está na Constituição desde 1988. O que falta é quem saiba fazê-lo funcionar na ponta — e isso não se aprende em campanha.

Leia também: Sávio Souza Cruz e a Educação de Curvelo: uma história de décadas de investimento.