Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas

É possível que poucos saibam desta data comemorativa da conscientização sobre as mudanças climáticas. Também por isso ela é muito necessária. As mudanças climáticas são um dos maiores desafios de nosso tempo. Seus impactos afetam toda a nossa vida, desde a produção de alimentos até o aumento do nível do mar. Causam também a falta ou o excesso de chuvas em diferentes regiões, as nevascas violentas, as temperaturas extremas e outras ocorrências catastróficas.

E o que é que provoca as mudanças climáticas?

Os gases de efeito estufa, em primeiro lugar. Quase todas as atividades humanas produzem gases de efeito estufa. Desde as geladeiras e aparelhos de ar condicionado em nossas casas, que liberam os hidrofluorcarbonetos (HFCs), até o uso de combustíveis fósseis, que liberam dióxido de carbono (CO2).

Em segundo lugar, o desmatamento. A supressão das árvores impede que absorvam o CO2 e contribuam para purificar o ar, suavizar temperaturas, regular o regime das chuvas. Ainda, o desmatamento está quase sempre ligado a queimadas, que lançam mais gases de efeito estufa na atmosfera.

Quando se reconheceu o processo?

O reconhecimento do processo das mudanças climáticas em curso no planeta teve início na década de 1980, quando as evidências científicas as associaram aos gases de efeito estufa. O tema passou a ser debatido em várias esferas e pressionou para que fosse criado um acordo internacional sobre o assunto.

O que é o Protocolo de Kioto?

Na área científica, foi criado o Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas. Na área política, foi criada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, reunindo 154 países e mais os países da União Europeia. No âmbito dessa Convenção, criou-se, entre outras, a Conferência das Partes III, que produziu o Protocolo de Kioto, assinado em 1997, na cidade japonesa do mesmo nome.

O Protocolo de Kioto estabeleceu metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa a serem cumpridas gradativamente nos períodos de 2008 a 2012 e 2013 a 2020. Participaram de sua elaboração 141 países e, em 1999, foi ele ratificado por 55 países responsáveis à época cerca de 55% das emissões de gases de efeito estufa. Com a dificuldade de cumprimento das metas, foi realizado em Paris um novo encontro mundial sobre o tema. Produziu-se então o Acordo de Paris, que entrou em vigor em novembro de 2016 para substituir, a partir de 2020, o Protocolo de Kioto.

O que é o Acordo de Paris?

O Acordo de Paris confirmou o efeito nefasto das massivas emissões de gases de efeito estufa, confirmando também que os maiores emissores desses gases são a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento das florestas. Estabeleceu que as emissões desses gases devem ser reduzidas de tal forma que limitem o aumento médio de temperatura global a 2ºC, quando comparado a níveis pré-industriais.

O Brasil, que ratificou o Protocolo de Kioto e depois o Acordo de Paris, bateu recordes de desmatamento e queimadas em 2019, num aumento de cerca de 30% em relação a 2018, segundo o INPE. O ano passado também foi cruel com as florestas, sobretudo na Amazônia.

Daí a importância de celebrarmos o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. De cobrar ações do governo. E de entendermos que também temos de fazer a nossa parte.