Água tem presença forte na agenda do Meio Ambiente em março

A comemoração do Dia Internacional da Água em 22 de março recolocou a água na agenda dos órgãos do Meio Ambiente, da administração pública e da sociedade civil. Endossando estudos e opiniões, Sávio entende que é urgente a necessidade de consumir menos e preservar as condições para garantir esse recurso essencial à vida.

O “Dia Zero” na Cidade do Cabo está previsto para 12 de abril.

“Dia Zero” na Cidade do Cabo – Sávio lembra que a Cidade do Cabo implantou política de redução de consumo de água faz tempo. Desde o ano 2000, o consumo por habitante naquele município não cresce mais. Mas esse esforço não tem sido suficiente. Enfrentando uma estiagem que já dura três anos, a Cidade do Cabo prevê que, por volta do dia 12 deste mês de abril, já não terá água para seus habitantes. Esse será o Dia Zero. Outras 11 cidades do mundo estão na iminência de passar pela mesma dramática situação: São Paulo, Bangalore (Índia), Pequim, Cairo, Jacarta, Moscou, Istambul, Cidade do México, Londres, Tóquio e Miami. Uma cidade dessas sem água talvez seja desafio maior que um 11 de setembro ou uma Guerra Mundial.

Reduzir o consumo e proteger o ciclo da água: a resposta está na natureza.

“A resposta está na Natureza” – Com esse tema, a ONU lembrou a passagem do Dia Internacional da Água, comemorado em 22 de março. Sávio endossa o objetivo. Segundo ele, a ONU quis enfatizar que estratégias de preservação e restauração ambiental podem proteger o ciclo da água e melhorar a qualidade de vida da população. “E ela está certa”, avalia ele, citando dados. Mais de 80% das águas residuais geradas por atividades do homem, incluindo o esgoto caseiro, são despejadas no meio ambiente sem tratamento ou reutilização. O desmatamento e as mudanças climáticas pioram a situação. Além disso, prevê-se que, até 2050, a população global contará com mais 2 bilhões de pessoas e o consumo de água terá crescido mais 30%.

Comissões de Agropecuária e de Meio Ambiente debateram o uso racional e sustentável da água – (Foto ALMG)

Integração de ações – As comissões de Agropecuária e de Meio Ambiente da Assembleia (ALMG) realizaram em (14/03/2018) uma reunião conjunta, com a participação de convidados, para debater a questão da água em Minas. Os resultados da reunião demonstraram que cada um dos órgãos envolvidos com a questão vem trabalhando isoladamente, quando o ideal seria fazer convergirem as ações de todos eles. Uma atuação coordenada para o uso racional dos recursos hídricos, esse foi o consenso obtido ao final da reunião, em que, além dos deputados, estiveram presentes representantes da Secretaria de Estado de Agricultura, Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Copasa, Cemig, Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) e Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O 8º Fórum Mundial da Água aconteceu entre 18 e 23 de março, em Brasília.

Fórum Mundial – Em Brasília, nos dias 18 a 23 de março, foi realizado o 8º Fórum Mundial das Águas, maior evento global sobre o tema água, organizado pelo Conselho Mundial da Água a cada três anos. O Conselho, fundado em 1996 e com sede em Marselha/França, reúne cerca de 400 instituições que trabalham o tema em mais de 70 países. O evento em Brasília reuniu cerca de 100 mil pessoas representando 172 países. Entre os presentes estavam 12 chefes de Estado, 70 ministros de 56 países e 134 parlamentares. Durante os seis dias do encontro, foram analisados temas como segurança hídrica, gestão urbana da água, mudanças climáticas e acesso democrático ao recurso. Os trabalhos levaram à formulação de um pacto por água limpa com cerca de 100 propostas de boas práticas para garantir o uso racional e sustentável desse recurso. São medidas urgentes em vista da previsão de que, por volta de 2050, cerca de 5 bilhões de pessoas viverão em áreas com baixo acesso à agua, o que, inclusive, poderá afetar a paz mundial.