Desafios da saúde pública mais equânime são debatidos durante a abertura oficial da I Conferência Estadual de Saúde da Mulher

O evento segue até a próxima quarta-feira (12/07) e a expectativa é reunir cerca de 700 delegadas e delegados de todo o Estado

Com o tema “Desafios para Equidade com Qualidade: Nenhum Direito a Menos”, foi realizada nesta segunda-feira (10/07), no Minascentro, em Belo Horizonte, a abertura oficial da 1° Conferência Estadual de Saúde das Mulheres de Minas Gerais (CESMu). O encontro é etapa da 2° Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, a ser realizada no mês de agosto, em Brasília, com objetivo desenvolver uma política nacional de atenção integral à saúde das mulheres.

A subsecretária de Políticas e Ações de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de minas Gerais (SES-MG), Maria Aparecida Turci, ressaltou a importância em discutir e construir propostas voltadas para defesa do SUS de forma integral e equânime para as mulheres.

“Essa é a primeira conferência de saúde das mulheres do Estado de Minas Gerais e temos como tema, a integralidade da atenção à saúde das mulheres com equidade. Dessa forma, é muito importante que as mulheres discutam e construam propostas que sejam levadas para a conferência nacional na defesa do SUS de forma integral e com equidade para as mulheres”, destacou Maria Aparecida Turci.

Mesa oficial de abertura - Créditos: Marcus Ferreira

Mesa oficial de abertura – Créditos: Marcus Ferreira

O Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Sávio Souza Cruz, destacou, durante a abertura, a importância em se preservar os direitos conquistados até hoje. “Nós acreditamos que é possível preservar os direitos cristalizados na Carta Cidadã de 1988 e que o Estado pode continuar sendo um agente de desenvolvimento. Tenho certeza de que com essa conferência, as representantes mineiras eleitas levarão para a Conferência Nacional o compromisso de Minas Gerais com a diversidade, com a integralidade da saúde e com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde”, afirmou Sávio Souza Cruz.

Conforme a Subsecretária da Mulher, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais, Larissa Amorim Borges, a Conferência já se iniciou quebrando paradigmas, reconhecendo as especificidades e as diversidades das mulheres mineiras.

“Ao se propor a trabalhar política para todas essas mulheres, esta conferência já inova e nos traz o compromisso, enquanto Estado, de cuidar de cada uma dessas mulheres, tendo um olhar especial para aquelas que estão em situação de maior vulnerabilidade. Dessa forma, eu gostaria de lembrar a importância de trabalharmos políticas específicas para mulheres indígenas, lésbicas, bissexuais e transexuais, privadas de liberdade e prostitutas. Temos um grande desafio, mas temos também muita coragem para enfrentar esse desafio, trabalhando juntas”, destacou Larissa Amorim Borges.

Saúde Pública das Mulheres em pauta

A 1ª Conferência Nacional de Saúde da Mulher foi realizada em 1986 e, ao longo desses anos, é possível destacar avanços. “Nós observamos a redução da morte materna, a redução das taxas de cesariana, a ampliação do acesso da mulher à assistência à saúde de uma forma geral. No entanto, é importante ressaltar que todos esses avanços conquistados pelo SUS ao longo desses anos estão ameaçados no momento atual. Nós temos uma situação crônica de sub financiamento que certamente será agravada com o congelamento do recurso para as áreas sociais por vinte anos. Num contexto de recessão e contenção de recursos, a nossa preocupação é que todas as conquistas tenham um retrocesso muito grande no momento atual que vivemos”, pontuou Maria Aparecida Turci.

Já a Coordenadora adjunta da I CESMu, Lourdes Machado, destacou a importância da representatividade política de mulheres nas esferas da saúde. “Nós entendemos que falar em saúde pública para a mulher é ir além de exames de mamografia, exames preventivos e exames de pré-natal. Destacamos aqui que a maior parte das gestões municipais são ocupadas por homens. Talvez, devido a essa falta representação política das mulheres nas esferas da saúde, não consigamos defender com tanta propriedade as nossas pautas”, afirma Lourdes Machado.

A Coordenadora destacou, ainda, a necessidade de falar sobre a violência que atinge especificamente às mulheres. “Hoje, o feminicídio mata, no Brasil, em torno de uma mulher a cada uma hora e meia. Essa colcha, construída por mulheres em situação de violência, é fruto do projeto da professora Elza, da UFMG, e estará aqui durante esses três dias de Conferência para nos lembrar que precisamos falar sobre essa violência de gênero”, reforçou Lourdes Machado.

De acordo com a deputada Marília Campos, que representou o Presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Adalclever Lopes, é preciso implementar políticas públicas para todas e todos, especialmente para as mulheres. “Para que possamos superar a invisibilidade, precisamos nos organizar como força política. Não basta votarmos, não basta elegermos representantes. Precisamos nos organizar em todos os lugares, para que possamos mostrar nossa força política de forma organizada”, afirma Marília Campos.

Já a Promotora de Justiça da Defesa da Saúde, Josely Ramos Pontes, reforçou a necessidade por políticas públicas de saúde que atendam às necessidades das mulheres e que garantam seus direitos. “Já abandonamos o rótulo de sexo frágil e estamos cada vez mais cientes de nossos direitos. Exigimos respeito e políticas efetivas que nos assegurem nenhum direito a menos”, destacou Josely Ramos Pontes.

O desafio de hoje

De acordo com a Subsecretária de Políticas e Ações de Saúde, Maria Aparecida Turci, o atual desafio quando se trata de saúde pública das mulheres é convocar “as pessoas para defesa do SUS, compreendendo a complexidade da situação da mulher na sociedade e atendendo às suas necessidades em saúde”.

1ª Conferência Estadual de Saúde das Mulheres, organizada pela SES-MG e pelo Conselho Estadual de Saúde (CESMG), segue até esta quarta-feira (12/07) e a expectativa é reunir cerca de 700 delegadas e delegados de todo o Estado para debater, propor e votar políticas públicas de saúde voltadas às mulheres.

Por Fernanda Rosa, via SES/MG